Domingo, Julho 27, 2008

homo erectus

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A inconsistência é tanta que me mata de tesão.

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Sina

Meu amado coração
Não te enchas de angústia
As tormentas não passaram
E eu demoro a regressar

Mas não se queixe, coração
Eu trago o vento na bolsa
E o sol no meu olhar
Verás que a estrada está vazia
Mas repleta de vinhedos e araçás

E se alguma vez caíres, coraçãozinho
Grite o meu nome no mais profundo abismo
Rasgue toda célula de seu corpo
Que voltarei em seu socorro

Pois não sabes, mas viajei
Para qual descampado mais bonito
E implorei às flores
Que me dessem força
Para livrar-te de tua sina
Para que te cuidem
Para que te curem
E te façam feliz.

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Comigo-ninguém-pode

Não estou aqui
Não estou aí
Eu estou lá: longe de vocês.

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Clocktown

Bela
Amei-te em tantas noites vazias
Abracei-te em vão
Dei-te versos em vão
Mal escritos e rasurados

E toquei tua nudez
Com dedos trêmulos e virgens
Inocente como és infinita
Eterna como és cálida
Valente

Por quantas noites me fará companhia?
Quantas lágrimas terá me secado?
Teus punhos cerrados são beijos de nuvem
Que desejo alcançar
Mas não posso, enfim

Fecho meus olhos em busca do sonho melhor
Mas não deixe de rogar por mim, Bela
E protege esta estrela desgarrada
Que te implora esse luar.

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Purgatório

Tantas cabeças, tantas dívidas
Dúvidas do feijão com arroz próximo
Certeza do cansaço
No vai-e-vem desnecessário
De pernas, olhos e braços

Nossa esperança se dissolve
A cada convite frustrante
É certeza da impaciência
Vencida pelos relógios
De ponteiros irritantes

Sei que não posso lutar
Terei de esperar
E cansado, fecho os olhos
Aperto o papel da sentença
Rezo uma prece pequena
Minha hora chegará

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Ali na cama 2

Olho pela janela
Vejo o pequeno rastro de azul
Luz que ainda resiste
Neste fim de noite triste
Que não posso retardar

Logo é cedo
Meus olhos assim ressecados
Os cabelos desarrumados
O semblante desbotado
Que não tento evitar

Por essa janela artificial
Que me agride com frieza
Vejo seu sorriso pequeno
Esse rosto tão sereno
Essa imensa saudade de amar

Volte logo
O abismo ainda está aberto
De perto, não sei
Se desperto rumo ao desengano
Ao abandono

Volte logo, noite
Abrace seu filho tão casto
E diga que me ama
Pois ali na cama
As coisas já não parecem tão difíceis

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Tragédia no campo

Dantescas reviravoltas
Distúrbios incompletos na ilusão
Desse sonho fugaz
Do sopro de explosão
Que evito respirar...
Nesse escuro gramado de virgens plantas
Naquele mistério sagrado
Das grandes Mentiras
Onde o ar é fúnebre, e a água envenena.

Mas a fé é rocha
É erva daninha persistente
E se a tragédia não vem a conta-gotas
A bonança encachoeira penitente.

Nem minha dívida de sangue
Pode sufocar o amor
Pois a dor se esgotará
O amor é estanque
E perene
E singelo
Sim.